Editorial: Educar é a ponte para uma democracia saudável

Recentemente uma onda de ódio, violência, intolerância e desinformação começou a dominar Brasil, principalmente com a chegada do período das campanhas eleitorais deste ano. Está cada vez mais comum observamos que a crescente falta de respeito nas redes sociais ou antissociais vem se transferindo para a vida real e prejudicando o processo de amadurecimento e estabilidade da democracia brasileira. O debate saudável no campo das ideias parece distante, já que há mais preocupação em destruir quem pensa diferente do que discutir propostas para soluções dos problemas.

Vários fatores levam a sociedade ao pessimismo devido a uma sensação de insegurança e falta de perspectiva de melhora de curto prazo. Além da crise financeira, também há uma crise ética e moral que, consequentemente, conduz a sociedade aos pensamentos radicalistas em busca de soluções fáceis para problemas complexos.

Muitas pessoas estão cheias de ideias para tirar o Brasil da crise. Algumas são utópicas demais. Mas há um assunto não  utópico citado em campanhas eleitorais e que é unanimidade nas mais diferentes classes sociais quando perguntam do que o país precisa para as melhorias econômicas e sociais: é a educação. A área é a chave para abrir a porta de entrada com transformações necessárias para que todos possam lutar pelo desenvolvimento coletivo da nossa sociedade.

Em meio a um país violento, é a educação que pode proporcionar oportunidades para que todos tenham chance de melhorar de vida e não escolham o caminho da criminalidade. Nas redes sociais cheias de desinformação e debates agressivos, é a educação que pode instruir a pessoa para ela saber o que está compartilhando e qualificá-la para discussões políticas civilizadas, com menos extremismos, mais diálogos e argumentações coerentes que fujam do senso comum. É a educação que vai qualificar o trabalhador para o desenvolvimento social e da economia do país. É a educação que pode ajudar o povo a ter mais respeito e  civilidade na construção de uma democracia madura e saudável, que fique nos campos das ideias e não nos tiros, assassinatos ou facadas, e muito menos na exaltação de indivíduos caudilhistas. Enfim, só a educação trará conhecimento e qualificação para enfrentarmos com mais sabedorias as grandes crises.

Brotas pode ser uma cidade de potencial ainda maior se houver evolução na educação, mas não é o que mostrou a última avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgado pelo MEC no dia 3 de setembro. A cidade teve queda na média do 5º e 9º ano e ainda não atingiu as metas projetadas. É triste demais a possibilidade de um município turístico deixar uma geração com o risco de perder parte do conhecimento  devido aos problemas no setor mais essencial para o desenvolvimento de um país.

Resta torcer para que a educação de Brotas melhore e que os brotenses tenham a oportunidade de exercerem melhor o conhecimento para ajudar no bem-estar coletivo da população. Só assim é possível não termos talentos desperdiçados pela falta de oportunidade.