Oito anos superando limites

No último dia 8 de março de 2010, comemorado Dia Internacional da Mulher nascia o Jornal Ideias, ali começava um trabalho de informação imparcial, ética e levando informação com credibilidade para 16 municípios em toda região, muitas e muitas conquista alcançadas, muitas lutas em favor de um povo tão sofrido e manipulado foram enfrentados, que tantas vezes tentaram nos calar, muitos insistiram em nos comprar, mas a vida é uma luta insana, na qual os fortes sobrevivem e os fracos sucumbem a sombra de sua própria incompetência.

Fazer jornal em um país que leitura nunca foi prioridade dos governantes é vencer seus próprios limites a cada dia. Nesses oito anos de serviços prestado a população, levando informação para mais de 98 mil leitores, tivemos o privilégio de publicar histórias de exemplo de luta e perseverança, poderíamos citar vários fatos que emocionaram todos nós, muitos momentos marcantes que mudaram a história de uma comunidade.
O Jornal Ideias sempre esteve presente na região, oferecendo um canal de comunicação para debater vários temas, dentre eles, sociais, nevrálgica e católica, sempre dando espaço para a voz da comunidade.

Mas, digo que nem sempre é fácil fazer um jornal sério e com responsabilidade, em alguns momentos parece que nos tiram o chão, que nos puxam o tapete sem motivo, sentimo-nos injustiçados, a passagem fica cada vez menor e a provação cada vez mais complicada. De algo tenho certeza, só os fortes sobrevivem! Viver é superar cada obstáculo que surge e em jornalismo eles são infinitos.

“O enfrentamento a os poderosos e a corrupção”.

A compreensão destas situações, acaba por explicar grande parte dos problemas que vivenciamos no dia-a-dia dentro de um processo jornalismo investigativo, com isto, historicamente, muitas atrocidades se legitimaram, amparadas no Direito vigente para combater determinadas ameaças.

O problema que gravita em torno disto é: quem escolhe quem são os amigos e os inimigos? Parecemos estar vivenciando este episódio no momento, onde o enfrentamento à corrupção, traz o novo inimigo: o corrupto.

Entretanto, a explicação disto extravasa a análise meramente jurídica e extrapola os limites desta coluna, exigindo uma abordagem psicanalítica que possa explicar determinados fenômenos. Obviamente que ninguém irá defender a corrupção, tampouco dizer publicamente que é um corrupto e que não enxerga nada de errado nisto.

O paradoxal é que somos uma nação muito corrupta, uma nação que se vangloria do jeitinho brasileiro e que na primeira oportunidade de obtenção de qualquer vantagem, sequer pestaneja, Infelizmente, muitas vezes o que difere a imensa maioria dos ditos cidadãos de bem dos grandes corruptos e suas milionárias tramoias, é a simples oportunidade.

O suborno ao guarda de trânsito para livrar-se de uma multa ou o “agrado” ao funcionário de uma repartição pública para dar prioridade ao seu pedido, podem se diferenciar nas consequências, mas na essência se assemelham muito aos vultuosos valores pagos em propina para beneficiar empresas ou desviados de obras superfaturadas. Será que os indivíduos de todas as situações narradas não agiriam da mesma forma em igualdade de condições e oportunidades? Não sabemos, mas podemos desconfiar.

Mais paradoxal, ainda, é que a escolha dos inimigos muitas vezes seja feita por indivíduos acusados ou suspeitos dos mesmos fatos que teriam sido cometidos por aqueles que são rotulados como os inimigos da vez. A pergunta que fica sempre é aquela: quem escolhe quem é amigo ou inimigo? Qual o corruptômetro que servirá para medir os graus de corrupção alcançados para que possamos imaginar que esta é uma pequena corrupção e aquela uma grande corrupção capaz de tornar o cidadão um inimigo?

“O político corrupto”

É preciso intender que a corrupção não se trata de grandes valores, o dinheiro público é sagrado e tem que ser respeitado e prestado contas para a população, o simples ato de adquiri um valor seja um real, setecentos reais ou até mesmo um milhão, a ato da desonestidade e a corrupção são a mesma, o não zelo com o dinheiro púbico também é um ato de corrupção, os governantes precisam priorizar as demandas do município e sempre colocando a cima de tudo o interesse público.
Portanto, não podemos crer na ilusória boa intenção que descumprindo os dispositivos legais e desrespeitando os mandamentos constitucionais, visem combater a corrupção. O custo a ser pago pela lógica utilitarista dos fins justificando os meios, são enormes e irreversíveis em matéria de um Estado Democrático de Direito, uma vez que a punição a quem descumpre a lei cometendo crimes, não pode se dar com o descumprimento da própria lei pelo Estado.

“Respeito ao leitor”

Em respeito e gratidão ao leitor e nossos parceiros o Jornal Ideias continuará cumprindo seu papel com a sociedade, seja publicação de ações positivas dos governantes, seja ações da comunidade, também fazendo o que estamos fazendo há oito anos, um jornalismo sério e investigativo, apresentando denúncia as autoridades competentes para que os possíveis culpados possam pagar pelos seu crimes, que ninguém deseja a impunidade de corruptos e corruptores, apenas queremos que toda a punição se dê em conformidade com as leis vigentes, o que não pode ser relativizado, ainda que em nome de pseudos bem maiores.